Motorista do Porsche azul que matou homem é transferido e deixa 'presídio dos famosos', em Tremembé

g1.globo.com
Motorista do Porsche azul que matou homem é transferido e deixa 'presídio dos famosos', em Tremembé


Vídeo mostra momento da batida de Porsche em carro de motorista de aplicativo
O motorista do Porsche azul, que causou um acidente que matou um homem e deixou outro ferido em 31 de março de 2024 em São Paulo, deixou no final do ano passado a penitenciária de Tremembé e seguiu para uma prisão em Potim.
Tremembé e Potim ficam distantes a cerca de 50 quilômetros de distância uma da outra. As duas cidades estão na região do Vale do Paraíba, no interior do estado.
A transferência de Fernando Sastre Filho ocorreu no último mês, segundo informou nesta segunda-feira (5) ao g1 a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), com sede na capital paulista. "A pessoa citada está presa na Penitenciária II de Potim desde 18 de dezembro de 2025", confirmou a pasta por meio de nota.
Os crimes cometidos pelo empresário ocorreram na capital paulista e foram gravados por câmeras de segurança _ o que gerou comoção popular depois que as imagens viralizaram nas redes sociais (saiba mais abaixo).
O empresário Fernando Sastre, que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana
Reprodução
O motivo da mudança de penitenciária não foi informado pela SAP. A equipe de reportagem tenta contato com a defesa de Fernando para comentar o assunto.
O empresário está preso preventivamente desde 6 de maio de 2024, acusado de ter assumido o risco de matar Ornaldo da Silva Viana e de machucar com gravidade Marcus Vinicius Machado Rocha por beber e dirigir em alta velocidade.
Em 11 de maio, Fernando havia sido transferido para a penitenciária de Tremembé, conhecida por abrigar presos de casos famosos.
O acidente
Traseira do Renault Sandero branco ficou destruída após ser atingida pelo Porsche azul
Rômulo D'Ávila/TV Globo
Ornaldo, a primeira vítima, era motorista de carro de aplicativo, um Renault Sandero, atingido pelo Porsche 911 Carrera GTS, dirigido por Fernando. O estudante de medicina Marcus, a segunda vítima, era amigo do empresário e estava sentado no banco do carona do carro esportivo de luxo, avaliado em mais de R$ 1 milhão.
As imagens que gravaram o acidente mostram o momento em que o Porsche acelerou e bateu na traseira do carro de Ornaldo, na Avenida Salim Farah Maluf, Zona Leste da capital.
Outras filmagens, feitas por testemunhas da colisão e pelas câmeras corporais dos policiais militares que atenderam a ocorrência, também gravaram o que aconteceu antes, durante e depois do acidente fatal.
Vídeo: Veja como PMs liberaram motorista de Porsche sem teste do bafômetro
Pessoas que viram a batida disseram aos agentes da Policia Militar (PM) que o empresário guiava em alta velocidade e estava embriagado quando bateu o Porsche no Sandero. Mas a PM não fez o teste do bafômetro em Fernando.
O empresário deixou o lugar a pé com a ajuda da mãe e de um tio que surgiram depois, com a falsa promessa de que o levariam a um hospital porque estaria sangrando.
Nas imagens das câmeras corporais dos PMs é possível ver a mulher dizendo: "Vamos, Fernando!", para que eles fossem embora.
Fernando Sastre de Andrade Filho chegado a delegacia nesta segunda (1º)
William Santos/TV Globo
Fernando aguarda a data do julgamento pelos crimes, que será marcada pela Justiça (saiba mais abaixo).
O empresário é réu no processo no qual é acusado de homicídio qualificado por "perigo comum" (ter colocado a vida de outras pessoas em risco) cometido na modalidade de "dolo eventual" (por ter assumido o risco de matar o motorista Ornaldo) e "lesão corporal gravíssima" (ao ferir seu amigo Marcus).
A Promotoria acusa o empresário de beber e provocar um acidente de trânsito a mais de 100 km/h na via. O limite para o trecho é de 50 km/h, mas laudo do Instituto de Criminalística (IC) indicou que o Porsche bateu no Sandero de Ornaldo a 136 km/h.
Quando foi interrogado pela Justiça, por videoconferência em agosto de 2024, Fernando voltou a negar que tenha bebido.
Vídeos mostram depoimentos de testemunhas do caso Porsche
Apesar disso, Marcus falou em seus depoimentos à polícia e à Justiça, entre abril e junho de 2024, que o então amigo Fernando bebeu antes de dirigir (veja vídeo acima).
Em dezembro deste ano, a defesa do empresário entrou com um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), com sede em Brasília, pedindo a mudança do crime de homicídio por dolo eventual para homicídio culposo (sem intenção de matar).
Os advogados também pediram a retirada da qualificadora do "perigo comum". No entendimento da defesa, Fernando não colocou outras pessoas em risco durante o acidente que matou Ornaldo e feriu Marcus.
O STJ negou o pedido liminar do habeas corpus. O mérito da solicitação ainda não foi julgado pelos demais ministros.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) só irá marcar a data do julgamento de Fernando após esgotarem todos os recursos da defesa dele nas instâncias superiores. A previsão é de que isso ocorra ainda em 2026.
Veja como foi saída de motorista do Porsche de casa de pôquer antes de acidente




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