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Economia, Educação e Inovação: As Engrenagens Travadas do Desenvolvimento

Economia, Educação e Inovação: As Engrenagens Travadas do Desenvolvimento

Confederação Nacional da Indústria - CNI
Economia, Educação e Inovação: As Engrenagens Travadas do Desenvolvimento Colocação dos Países em relação à Inovação

Economia, Educação e Inovação: As Engrenagens Travadas do Desenvolvimento

O Brasil ocupa hoje uma posição de destaque no tabuleiro global, consolidando-se entre as dez maiores economias do mundo. Essa força é impulsionada por um setor agropecuário altamente desenvolvido, uma base mineral vasta e um sistema bancário que serve de referência mundial. No entanto, essa musculatura econômica convive com um paradoxo estrutural: o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ainda é muito dependente da exportação de produtos primários, o que torna o país vulnerável às oscilações dos mercados externos e limita a criação de empregos de alta complexidade.

O grande entrave para que essa pujança financeira se transforme em desenvolvimento sustentável reside entre outros fatores, na educação. Embora o país tenha tido sucesso em colocar quase todas as crianças na escola, a qualidade do aprendizado não acompanhou a expansão da oferta. O descompasso é evidente quando comparamos o tamanho da economia brasileira com seu desempenho em avaliações internacionais, como o PISA, onde o Brasil frequentemente ocupa as posições inferiores. Essa lacuna educacional na base acaba refletindo de forma latente no interesse cada vez menor pelo ensino superior de qualidade. No final da linha temos uma força de trabalho numerosa, mas que carece da qualificação técnica necessária para operar na fronteira da nova economia global.

Essa deficiência no capital humano reflete diretamente no pilar da inovação. No Brasil, a pesquisa científica está fortemente concentrada nas universidades públicas, mas há um abismo histórico entre a academia e o setor produtivo. Enquanto nações desenvolvidas transformam conhecimento em patentes e produtos de mercado de forma ágil, o Brasil ainda patina em burocracias e no baixo investimento privado em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). O resultado é uma economia que, apesar de inovadora em nichos como o de fintechs e aeronáutica, ainda importa grande parte da tecnologia que consome.

Em última análise, o paralelo entre economia, educação e inovação revela que o Brasil possui o "corpo" de uma potência, mas ainda precisa desenvolver o "cérebro" tecnológico para sustentar sua posição a longo prazo. A transição de um exportador de matérias-primas para um exportador de inteligência depende de uma convergência de políticas públicas que tratem a educação não apenas como um direito social, mas como o principal insumo econômico do século XXI. Sem essa integração, o país corre o risco de permanecer estagnado na armadilha da renda média, assistindo ao avanço global de longe. Por fim, não poderíamos deixar de citar a confusão institucional e o embaraço político que atravessam algumas de nossas principais instituições, o que torna nosso cenário ainda mais desafiador. Mas, para não estender demais a conversa, deixemos isso para um próximo encontro: O Papel das Instituições e Agentes Públicos no Desenvolvimento Econômico.

Prof. Dr. Sergio Tenorio dos Santos Neto
Professor e Pesquisador nas áreas de Gestão, Inovação e Tecnologia
Atua na FATEC, UNESP e Centro de Inovação de Guaratinguetá (CIG)

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