Esposas de terroristas retornam à Austrália com filhos e sob protestos

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Esposas de terroristas retornam à Austrália com filhos e sob protestos


Pessoas cercam mulher suspeita de ligação com o Estado Islâmico na chegada ao aeroporto de Melbourne, na Austrália, em maio de 2025.
Joel Carrett/AAP Image via AP
Dois aviões transportando 19 mulheres e crianças australianas ligadas ao grupo terrorista Estado Islâmico na Síria pousaram nesta terça-feira (26) na Austrália em meio a uma forte polêmica no país sobre o destino do grupo.
➡️ As mulheres são australianas que, há cerca de uma década, foram para a Síria para se unir ao grupo terrorista, após uma onda de recrutamentos de jovens através da internet. Muitas se tornaram esposas de combatentes ou comandantes do grupo e tiveram filhos com eles.
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O Estado Islâmico cometeu uma série de atentados terroristas, principalmente na Europa, desde 2015. Na Austrália, o grupo fez dois ataques, o último deles no ano passado. A organização terrorista se enfraqueceu nos últimos anos.
Também nos últimos anos, várias mulheres fugiram do grupo para campos de refugiados na Síria, e, agora, estão retornando a seus países com a ajuda de governos ou de lideranças locais. Ao chegar de volta, no entanto, se tornam réus por associação a um grupo terrorista e crimes similares. E enfrentam protestos de parte da população local, contrária ao retorno.
O destino das crianças, algumas delas nascidas durante o período em que as mulheres estiveram casadas com os terroristas, ainda é incerto também.
Com o rosto tapado, grupo de australianas espera em tenda do campo de refugiados de Roj, na Síria, para voltar a seu país após ter se unido ao Estado Islâmico, em abril de 2026.
Orhan Qereman/ Reuters
O governo australiano informou que as mulheres desembarcaram nos aeroportos de Sydney e de Melbourne nesta manhã e disse que ainda avaliava o destino de cada uma. Outro grupo de 13 mulheres em situações semelhantes também chegou na Austrália na semana passada.
Em um comunicado, a polícia australiana informou que nenhuma delas foi formalmente acusada dos crimes por enquanto, mas que seguiria investigando as atividades de cada uma na Síria. Do grupo que voltou na semana passada, três mulheres já foram acusadas de escravidão e crimes de terrorismo e permanecem presas.
São elas:
Kawsar Ahmed, de 53 anos, e sua filha Zeinab Ahmed, de 31 anos, foram presas ao desembarcarem em Melbourne sob a acusação de que sua família havia comprado uma escrava yazidi, etnia minoritária na Síria e no Irã.
Janai Safar, de 32 anos, foi presa no aeroporto de Sydney ao chegar com seu filho de 9 anos, sob a acusação de pertencer a uma organização terrorista e de entrar ou permanecer em uma região controlada por uma organização terrorista.
'Nada além de desprezo'
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O Ministro do Interior, Tony Burke, disse que qualquer pessoa que tenha cometido crimes "pode ​​esperar enfrentar todo o rigor da lei".
"O governo não forneceu e não fornecerá qualquer assistência a este grupo", disse Burke em um comunicado. “Essas são pessoas que fizeram a escolha horrível de se juntar a uma organização terrorista perigosa e colocar seus filhos em uma situação indescritível. E a prioridade do governo, como sempre, é a segurança da comunidade australiana”, afirmou.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, havia declarado anteriormente ao Parlament que “não tenho nada além de desprezo por qualquer pessoa que simpatize com o Estado Islâmico”.
Além do desprezo do premiê australiano, elas também enfrentam protestos de cidadãos australianos, que pressionam o governo para bloquear o retorno das mulheres. Em 2019, a Austrália criou uma "ordem de exclusão", um mecanismo que impede temporariamente a entrada no país de cidadãos australianos que foram combater ou integrar o Estado Islâmico.
Recentemente, pelo menos dois australianos foram impedidos de voltar ao país por meio dessa cláusala e permanecem no campo de refugiados de Roj, no nordeste da Síria, onde pessoas ligadas ao Estado Islâmico estão detidas desde a derrota das forças do grupo no Oriente Médio em 2019.
👉 Uma das australianas impedidas de viajar, segundo o jornal "The Australian", é uma jovem que havia deixado sua casa em Sydney aos 18 anos, em 2015, para se casar com um combatente do Estado Islâmico na Síria. Sua família contratou um advogado em Sydney para tentar reverter a ordem do governo australiano.
Ajuda para retornar
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Mas há, também, grupos que auxiliam no retorno de quem se arrependeu. É o caso do médico Jamal Rifi, que é também líder comunitário da diáspora muçulmana libanesa em Sydney.
Em fevereiro, Rifi tentou repatriar 34 mulheres e crianças australianas da Síria, mas autoridades sírias bloquearam a rota que o comboio fazia para Damasco para pegar o voo e os mandaram de volta para o campo de Roj. Isso porque as crianças também têm nacionalidade síria.
Agora, contou Rifi à TV australiana nesta terça, ele tenta convencer as autoridades sírias de que as crianças terão uma vida melhor na Austrália.
“Essas mulheres são mães carinhosas. Aderir voluntariamente ao culto da morte do Estado Islâmico é uma decisão terrível. Mas acredito que algumas dessas mulheres foram enganadas para ir para lá. Algumas são vítimas do grupo e outras não”, disse Riji.
O governo australiano também repatriou mulheres e crianças australianas de campos de detenção na Síria em duas ocasiões. Outros australianos retornaram discretamente, sem assistência governamental.




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