Rebelião que terminou com dois presos mortos começou após visitantes terem entrada barrada, diz Polícia Civil

g1.globo.com
Rebelião que terminou com dois presos mortos começou após visitantes terem entrada barrada, diz Polícia Civil


Dois presos morrem em confusão em penitenciária de Potim
A rebelião que terminou com a morte de dois detentos na Penitenciária I de Potim (SP), no último fim de semana, teve início após duas mulheres terem a entrada barrada na cadeia durante o dia de visitas, segundo boletim de ocorrência da Polícia Civil.
O caso foi registrado no sábado (20), no pavilhão 5 da unidade prisional, e mobilizou equipes da Polícia Penal, além do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), da Polícia Militar. Ao todo, dois detentos morreram e outros quatro ficaram feridos durante a ocorrência - leia mais abaixo.
De acordo com o boletim, o episódio começou após duas visitantes terem a entrada negada por suspeita de que traziam algo ilícito no corpo, durante a revista corporal com scaner, que identificou algo suspeito nelas. A revista com o equipamento é padrão de segurança adotado na entrada da unidade.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp
Diante da suspeita, o acesso das mulheres foi proibido, o que gerou reação de detentos. Ainda segundo o documento, após a negativa, presos que são companheiros das mulheres barradas passaram a ameaçar servidores e iniciaram o motim dentro do pavilhão.
Rebelião em Potim começou após visitantes terem entrada barrada, diz Polícia Civil
Arquivo pessoal
O boletim aponta que os detentos Anderson Luiz Cesário, conhecido como “Batata”, e Gabriel Nogueira Carvalho de Jesus teriam comandado a rebelião. Eles são citados como responsáveis por coordenar a violência, impor exigências à administração e influenciar outros presos durante a crise.
"Companheiros das referidas visitantes passaram a ameaçar os servidores e a afirmar que, caso as visitantes não fossem autorizadas a ingressar no estabelecimento, iniciariam a execução de outros detentos e manteriam familiares presentes no local sob restrição de liberdade", afirma o boletim.
Anderson tem 45 anos e em setembro de 2021 foi condenado a 18 anos e 9 meses de prisão em regime inicial fechado por homicídio qualificado cometido em 2017, em Tupi Paulista. Já Gabriel tem 26 anos e foi condenado em 2021 a cinco anos de prisão em regime inicial fechado por tráfico de drogas. Ele estava na P1 de Potim desde maio de 2023.
Ainda segundo o boletim, os presos passaram a exibir objetos cortantes improvisados, como pedaços de vergalhões, pedaços de metal, plásticos duros e fragmentos de espelho quebrado, com ameaças de morte e impondo prazos para que as visitantes fossem admitidas na unidade, afirmando que, a cada intervalo de tempo estipulado, uma nova vítima seria executada.
Consta no documento que detentos foram amarrados e mantidos sob extrema violência física, sendo golpeados com socos, chutes e objetos cortantes.
Após o assassinato de dois detentos, os outros presos mutilaram os corpos e chegaram a colocar fogo em uma das vítimas. As duas mortes ocorreram entre a tarde de sábado e o início da noite, no momento mais crítico da rebelião.
Penitenciária I de Potim
Pedro Melo/TV Vanguarda
Um dos homens mortos era o detento Gustavo Santos Lima Lourenço, de 24 anos. Ele foi preso em agosto de 2025 com 1 kg de cocaína na Rodovia Dom Pedro I, em Campinas e estava preso na P1 de Potim desde setembro do ano passado. O homem foi condenado por tráfico de drogas em fevereiro e cumpria pena de 5 anos e 10 meses de prisão no regime fechado.
Já o segundo detento que morreu é Carlos Matheus Alves da Silva, de 41 anos. Ele cumpria pena por roubos, estelionato e furto qualificado. Somados os crimes cometidos, ele cumpria pena de 42 anos e 11 meses de prisão em regime fechado. Não há informações sobre há quanto tempo ele estava na cadeia em Potim.
Durante o motim, a Polícia Civil informou que 14 mulheres e uma criança que estavam no local durante o período de visita chegaram a ter a saída impedida dentro do pavilhão. O grupo permaneceu no interior da unidade até o avanço das negociações, sendo liberado somente na manhã de domingo (21), quando a situação foi controlada.
As negociações foram conduzidas pela Polícia Penal com apoio do GATE e da Polícia Militar. A crise terminou por volta das 6h de domingo (21), quando os detentos envolvidos se renderam e o controle da unidade foi restabelecido.
Após o encerramento da ocorrência, a Penitenciária I de Potim passou por uma revista geral, e as visitas foram suspensas por questões de segurança.
A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) informou que instaurou procedimento para apurar o caso. O episódio segue sob investigação da Polícia Civil.
O g1 tenta localizar a defesa dos presos apontados como suspeitos de terem comandado a rebelião. Até a última atualização desta reportagem, os advogados ainda não haviam sido encontrados.
Preso é feito refém em Penitenciária de Potim, em SP.
Reprodução
Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.